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Carlos Kluwe, o primeiro ídolo do Sport Club Internacional

“Médico dos pobres, educador da juventude, amigo de todos.” No busto de Carlos Kluwe, a placa com a frase que sintetiza sua vida.

 Quando se entra no memorial recém inaugurado pelo Esporte Clube Internacional caminha-se um espaço de memória e virtualidade, lembranças e glórias de passado e conquistas recentes. E se um bageense ali passeia encantado com as luzes e os sons, no meio de imagens e troféus encara fato que o abate de orgulho: entre as reduzidas vitrinas dedicadas a poucos atletas desponta homenagem a Carlos Kluwe, em ambiente enfeitado com o certificado da eleição como prefeito, o diploma de médico, fotos com familiares, e outros objetos doados por parentes, tudo organizado com devoção pela jovem pesquisadora conterrânea Júlia Preto de Vasconcelos. Ali se ostenta, ainda, uma placa de reverência (1968): – “Médico dos pobres, educador da juventude, amigo de todos“, frase que resume existência invulgar.
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Foto: Liliana Telles

Carlos Antonio Kluwe nasceu em Bagé em 3 de janeiro de 1890; depois dos estudos preliminares foi para Porto Alegre, destinado ao curso médico, mas também ao Internacional, recém fundado pelos irmãos Poppe: estreou em 7 de setembro de 1909, empate sem golos contra o Militar Futebol Clube. Segundo os cronistas era conhecido como a majestade dos gramados: alto, um metro e noventa de estatura, apolíneo, seu chute potente, de qualquer distância e sem pé de preferência, era cantado por todos. Narram que moldou o time com a marca de sua forte personalidade, tornando-se responsável pelas vitórias conquistadas nos campeonatos de 1913, 1914 e 1915; abandonou o esporte em 1915, aos 26 anos, quando se graduou na Faculdade de Medicina da Universidade Federal, embora também tenha sido diretor, e até treinador, em época posterior. Compôs a equipe invicta: Russomano; Ari e Simão; Barbieri, Carlos Kluwe e Tom; Túlio, Flores, Bendionda, Átila e Barão; sua frustração, dizia-se, era não haver vencido um clássico, pois o Grêmio abandonara a Liga e disputava certame apartado (1914/15). Em julho de 1919, quando médico, como fizesse grande sucesso entre as mulheres por sua beleza física, atendeu a um “abaixo-assinado” das moças coloradas para voltar aos gramados e jogar um Gre-Nal, agendado para a Chácara dos Eucaliptos. Não deu outra: embora afastado por quatro anos, Kluwe retornou e fez um dos golos da vitória por dois a zero sobre o rival, atuando o resto da temporada; em 1920 sagrou-se campeão outra vez, e largou o futebol. O resto se sabe: o doutor Kluwe regressou a Bagé, dedicando-se ao sacerdócio em que se tornou profissional humanitário amado pela população; foi exator das rendas estaduais e prefeito (1948/1951); como profeta da educação adquiriu o palacete Osório para o município e o emprestou para instalar-se o Colégio Estadual (1955), seu derradeiro afeto e adotou seu honrado nome. Visitava o educandário quase todas as noites, circulando pelos corredores, conversando com os professores; depois de almoçar obedecia ao compromisso cotidiano de disputar xadrez com Floriano Rosa, Zezo Antunes e outros amigos, na biblioteca do Clube Comercial. Faleceu em 16 de setembro de 1966; lá na ponta da praça seu busto fiscaliza o estabelecimento que projetou, sempre fábrica e matriz de gerações bem sucedidas. Os historiadores concordam: Carlos Kluwe foi o primeiro ídolo colorado.” – Texto de José Carlos Teixeira Giorgis para o  jornal Minuano Online.

1913 – Em pé: Pery, Russomano e Simão; ajoelhados: Barbieri, Carlos Kluwe e Pedrinho Chaves; sentado:, Túlio, Galvão, Bendionda, Müller e Vares.

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